CINE
MOCOCA – novo ou velho olhar?
Coelho De Moraes
Escrevi sobre o Cine Mococa. Falei do meu desejo de ver o CASO DOS 3
PIMENTA, - que fica pronto em julho, - projetado na telona. Não
disse, mas, acabei aprendendo, que em Minas, Rio e São Paulo
se concentra a maior parte dos cinemas do país. E não
passa de 8%.
Em São Paulo tem umas 700 salas. Rio tem umas 300. Minas 150.
Por ai. Vergonha nacional já que os BLOCKBUSTER, os ARRASA QUARTEIRÃO,
oriundos da Corte, chegam com 400 cópias no Brasil para cada
filme. Lá vamos nós babar para o cinema alienígena.
Também disse que quero ver o Cine Mococa funcionando e não
quero saber de mais uma Igreja Cata Níquel instalada ali.
Falar em nome de Jesus é fácil. E Jesus nem se dá
ao luxo de negar nada. Um dos dois é fake. Ou os dois.
Agora: uma vez que o Cine Mococa funciona, o que será que eu
devo ver lá? O que me oferecerão por lá?
Devo deixar claro que gosto, sensibilidade, capacidade de crítica
não caem do céu. São aprendizados. São sutilezas
formadas culturalmente e, sabemos, que culturalmente somos colonizados,
somos ocupados pelo Império, pensamos como a Matriz. Como a Matrix.
Platão falou: - ‘Quer dominar um povo? Controle a música
que ouve.’ E podemos ampliar o pensamento para o Filme que vê,
o Livro que lê, a Roupa que veste. Quem é que não
veste o fardamento americano chamado Jeans?
Tá tudo dominado.
Essa gente rebelde usa Jeans. A outra gente rebelde dança o HipHop.
Os ‘mano’ não sabem nada do Repente nordestino mas
são experts no Rap.
Ta tudo dominado.
E se dizem livre e oprimidos. E, ainda discursam sobre resistência
e periferia e outras ventriloquias. A mim parece que alguém fala
pela boca deles.
Mas, o assunto é: - O que, enfim, ver no Cine Mococa?
Filme brasileiro? Filme americano? Outras linguagens? Outros povos?
Há público para isso? Para sobreviver o Cine Mococa tem
que ser puta?
O padre fundador não vai gostar.
Mas o Cine Mococa foi fundado para assistir Hop-Along Cassidy e coisas
similares, que também eram projetadas no CIURCULO OPERARIO (esse,
sim, o nome sagrado e tradicional e memorável e não o
nome espúrio e hipócrita que tem agora, afinal a bocha
é a mesma). Jerry Lewis, Filmes de guerra...
Pô... isso de aprender e ficar velho tem que valer para alguma
coisa. Eu assistia esses filmes, quando jovem, mas agora eu quero ver
o meu cinema brasileiro. Inverter as proporções. Quero
90% de filme brasileiro e 10% do resto, de qualquer lugar do mundo,
projetados no telão do Cine Mococa.
Um sábio dirá: - “Ahg! Mas ai não dá.
Aquele é que é filme bom e é o que o pessoal quer
ver!” e botam a culpa nas vilas. Schwartznegger, Stallone, Stratham,
e outros são os nosso ícones, falam da nossa realidade,
do nosso imaginário? Então estamos mal.
É uma questão de educação. As escolas devem,
- é uma ordem, - priorizar a formação cultural
dos jovens para a arte brasileira. Assim o mocoquense parará
de achar que o que vem de fora é melhor, mais acabado e serve
para nós. Essa mentalidade tacanha perdura até hoje. Talvez
devêssemos importar políticos, também.
Fechando o assunto teço, gratuitamente, uma lista de diretrizes.
Fora isso é formatar a cabeça com o resto do restolho
do restolhão:
a) O Cine Mococa deve permanecer cinema e aberto.
b) A programação deve se pautar no cinema brasileiro.
C) Se isso não dá lucro ou ninguém se interessa
por essa evidente e emergente indústria, então o povo
tem o que merece, a lavagem cerebral lhes caiu bem e ai, meu caro, tanto
faz Cine Mococa ou Igreja Universal.
Loja por loja quem sabe um Xopin?