ÓLEO
DERRAMADO
A
explosão da plataforma Deepwater Horizon, da petroleira BP, no
Golfo do México, no dia 20 de abril, matou 11 operários
e lançou cerca de 180 milhões de litros de óleo no
Oceano Atlântico. Das mortes pouco ou nada se falou, afinal devem
ser operários cucarachas ou americanos sem importância. Proletários
labutando pelo pão.
A onda de óleo que vazou das profundezas da Terra, afetou a vida
marinha e atingiu a Louisiana, o Alabama, ilhas do Mississipi, atingindo
também a Flórida. Técnicos americanos e britânicos
tentam, em vão, tapar o vazamento. Chegou-se a anunciar seu lacre,
mas notícias extra oficiais relatam o contrário. Uma tragédia
ambiental que eclipsa o até então maior acidente já
notificado: o vazamento de 257 mil barris de petróleo do navio
Exxon Valdez, que afundou em 1989 no Alasca.
Barac Obama, o homenzinho bom da Casa Branca saiu-se mal nessa história.
Seus críticos mais ferozes ( a elite WASP norteamericana), disseram
que o governo fez pouco caso do episódio e demorou a tomar atitude.
Chegaram a comparar as ações do governo, com a letargia
de seu antecessor, Bush Junior, no caso do furacão Katrina, que
varreu Nova Orleans. Injusta comparação. Bush será
lembrado como o pior presidente da história dos Estados Unidos.
Impossível superá-lo.
A petroleira BP (British Petroleum), possui uma longa ficha corrida de
exploração do “combustível negro”, tendo
iniciado suas operações no Irã, no tempo que este
país era reduto dos interesses do famigerado império britânico.
A mega empresa fazia parte do cartel petrolífero conhecido como
“as sete irmãs”, hoje reduzido a “quatro”:
Exxon Mobil, Chevron, Shell e a própria BP. Coisa de gente grande,
poderosa e disposta a tudo para manter a supremacia na prospecção,
transporte, refino e distribuição dos derivados de petróleo
mundo afora, inclusive promover golpes militares nos países produtores
de petróleo, colocando ditadores ou governos títeres que
visam atender aos interesses desses conglomerados.
A BP trava agora uma luta na justiça, pois no mundo dos negócios,
um acidente desta magnitude custa bilhões. Cresce a pressão
sobre a petroleira pelas indenizações milionárias,
que deverão ser oferecidas aos governos dos estados mais atingidos.
O Congresso americano se mobilizou. Deputados estão aplicando uma
“sabatina” em altos executivos da BP, que respondem de maneira
cínica, o que fizeram e o que deveria ser feito. O fato é
que o vazamento prossegue, fala-se em milhões de litros de petróleo,
espalhados pela costa. A mancha pode ser vista do espaço. A vida
marinha castigada, mergulhões, pelicanos, crustáceos, todos
lambuzados por grossa camada de óleo.
Gostaria de saber se o acidente fosse no hemisfério Sul, qual seria
a reação da comunidade internacional se este acidente fosse
causado pelo Brasil, Venezuela, etc. Membros do Conselho de Segurança
da ONU, teriam votado terríveis sanções econômicas
e embargos mirabolantes sobre os países envolvidos. Talvez Obama
enviasse os “Marines” para uma eventual intervenção
militar. O fato é que o ser humano despreza a natureza. Em nome
do lucro, tudo pode ser secundário, negligenciam-se os riscos e
medidas de segurança. O planeta fica exposto aos maiores perigos.
Grupos ecológicos protestam inutilmente. A BP mobiliza seus maiores
advogados para se safar, embora suas ações continuem despencando
no especulativo mercado financeiro, não há sinal claro de
arrependimento ou constrangimento. Nenhuma mancha de vergonha foi derramada
neste triste episódio. Mais um crime ambiental.
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Paulão
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