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James Cameron: Por que no te callas?

James Cameron é um cineasta americano que dirigiu alguns filmes de sucesso como Exterminador do Futuro, Aliens, o Resgate e grandes bilheterias como Titanic e o recente Avatar (que assisti só um tiquinho e achei bem xarope). Poderíamos para por aqui mesmo, já que ele jamais lerá essa crônica (ao menos que queira me fazer um astro da mídia ou uma espécie de escritor celebridade), mas não resisto quando vejo gringos decadentes, dando pitacos na maneira como devemos conduzir nossa economia, que investimentos devemos fazer, blá-blá-blá...

Acontece que o diretor em questão esteve recentemente no Brasil em visita a Amazônia, querendo rodar algum clipe, e foi adulado por políticos locais que ofereceram a floresta para locação de Avatar II (sim amigos, a saga continua). Veio acompanhado da atriz Sigourney Weaver, que trabalhou com ele em vários filmes. Seria apenas uma visita corriqueira se ele não tivesse se metido na questão polêmica do momento, a construção da barragem da usina hidroelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, Estado do Pará.

Cameron puxou o coro dos descontentes, posou para as câmeras como bom mocinho e defensor das comunidades indígenas e ribeirinhas, atraindo os holofotes para si e pela causa ecológica, onde poucos ousam criticar ou levantar bandeiras contrárias.

Depois disso, foi-se, prometendo voltar e fazer um documentário em 3-D (a moda do momento) sobre os índios que serão afetados pela possível construção da represa.

Tudo ao mesmo tempo agora, em real time, a visita de Cameron, discursando da boléia de um caminhão, políticos abanando-se sob um calor tropical, querendo dar uma de papagaio de pirata. Ao mesmo tempo uma liminar da justiça, expedida de última hora, jogava água no chope do governo, tentando impedir o leilão que definiria o consórcio das empresas dispostas a construir a obra e explorar os quilowatts que serão gerados. Cenas lamentáveis de um país abençoado por Deus e bonito por natureza.

Toda essa polêmica foi criada, desde que o governo federal lançou um ambicioso projeto de aumentar a capacidade energética do país, aproveitando-se da grande quantidade de rios caudalosos e propícios para geração de energia. Acontece que esse tipo de empreendimento, parece, aos olhos de hoje, algo jurássico, fora de moda e questão. Se o anúncio fosse feito no final dos anos cinquenta ou sessenta, Lula seria ovacionado como herói nacional, mecenas do progresso e do desenvolvimentismo. Basta ver nosso querido Rio Pardo, crivado por três barragens hidroelétricas localizadas a menos de 100 quilômetros uma da outra (Graminha, Euclides da Cunha e Limoeiro). Barragens que causaram irreversíveis danos ambientais ao rio. Já imaginaram se o governo anunciasse a construção de três barragens em um rio de porte médio como o nosso? Seria o delírio dos ecochatos de plantão. Ainda bem, que como professor de História, tomo certos cuidados com os chamados anacronismos...

Não podemos esquecer das demais usinas da antiga Cesp espalhadas pelo Estado, todas privatizadas nos últimos dezesseis anos de governo tucano.

Mas o anúncio de Belo Monte causou estardalhaço, apesar de estudos apontarem para danos mínimos no meio ambiente. Será uma usina impactante para a natureza, como qualquer ação antrópica, mas necessária para o desenvolvimento do Brasil. Geração de energia capaz de iluminar uma cidade de 11 milhões de habitantes, não é um projeto que possa ser simplesmente engavetado.

Mas se eu fosse o Lula e ficassem enchendo meu saco com essa polêmica, anunciaria logo o fim do projeto e ordenaria a construção de umas cem termoelétricas movidas a carvão ou óleo diesel. E ainda proibiria a entrada desse babaca do Cameron em nosso país por uns tempos. Só pra contrariar...


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