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TERCEIRO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA EM MOCOCA

Por Paulo Siqueira
Fotos: Luiz Antônio Scarparo Maciel

O Dia Nacional da Consciência Negra é um feriado optativo. Os municípios escolhem se querem ou não transformar a data em feriado. Mococa, através de votação maciça da Câmara Municipal fez opção pela comemoração. Desde então, ocorre um evento para lembrar o dia 20 de Novembro, data em que Zumbi de Palmares, ícone na luta contra a escravidão, foi morto em 1695.
O local escolhido para a realização dos eventos é o teatro da EE Oscar Villares, escola pública erguida no Estado Novo de Vargas e que possui um bom espaço para manifestações artísticas e culturais.
À frente da comemoração está Ricardo Salles e uma equipe de colaboradores. A proposta é não deixar a data passar em branco e discutir a questão da cultura negra e a condição dos afrodescendentes da cidade. São exibidos filmes, números musicais, exposição de artes plásticas e palestras.
Segundo seus organizadores, o evento tem um ar meio underground, e sempre contou com o apoio de equipamentos da própria escola, além de muita criatividade, para prender os espectadores e participantes por cerca de oito horas.
Porém, neste terceiro ano, o evento ganhou novos ares. Ricardo Salles buscou parcerias mais potentes, como o Grupo TUMM, Circus Produções Artísticas e o SESC São Carlos. Até nosso querido cineclube Zezé Lippi colaborou, exibindo em sessão noturna, no dia 18 de novembro o filme “Besouro” nas dependências da Escola.
O certo é que vitaminado ou não por novos parceiros, o evento trouxe o escritor Ferréz, um cara muito simpático, engajado no movimento Hip-Hop, morador do Capão Redondo, uma periferia violenta de São Paulo. Escritor, roteirista, músico. Um talento de nosso tempo, sem dúvida. E pela primeira vez, um representante do poder público de Mococa compareceu. O Prefeito Toni Naufel que segundo suas palavras estava ali, “para aprender um pouco mais”. E a palestra de Ferréz foi educativa para todos, pois ele começou lembrando que o dia da consciência negra foi criado não para ser aprovado pelo branco, mas sim para transmitir confiança e orgulho de ser negro, de expressar sua cultura livremente, como verdadeiro ser humano. Foi muito interessante. Primeiro por que, com ilustres convidados, o evento muda de patamar e pode atrair holofotes para que a presença dos cidadãos aumente progressivamente e o evento ganhe mais naturalidade, onde as pessoas possam participar por se sentirem atraídas, identificadas pela data e não afastadas por horrendos clichês.
Segundo por que eventos desta natureza resgatam as pessoas que sempre contribuíram muito para o progresso da cidade, com o suor de seu trabalho, e que muitas vezes são varridas para debaixo do tapete da história. Não se começa uma grande caminhada, sem o primeiro passo, (como nos lembra um velho ditado chinês). O Prefeito saiu com a promessa de colocar o Departamento de Cultura no teatro de operações dos próximos eventos. Bom sinal. E para o Ferréz, um abraço camarada, pela lucidez de suas palavras, na luta por um mundo mais justo, progressista e menos sofrido.

Paulão é professor de História
E-mail: Paulão


No último sábado, dia 20, no feriado municipal do Dia da Consciência Negra, contrariando a má vontade da sociedade mocoquense em relação a tal comemoração, a Escola Estadual “Oscar Villares” recebeu a celebração deste dia. Era uma realização da Óca Associação Cultural em parceria com o Grupo TUMM. Estiveram presentes, artistas, professores e muitos cidadãos, interessados em debater “Cadê a cultura negra em Mococa?”, que era o tema central deste ano.
Pela primeira vez, tivemos a honra de receber a pessoa do Exmo. Sr. Prefeito Municipal, que logo na abertura teve a oportunidade de explicar o porquê de sua tentativa, no início deste ano, de remover o feriado da agenda da cidade. Quem faltou perdeu a oportunidade de participar de um bom debate.
Logo após, o convidado deste ano, o escritor e ativista social Ferréz, diretamente da comunidade do Capão Redondo, narrou a sua trajetória e respondeu perguntas de todos. Tal presença dignificou muito o evento e acendeu mais a vontade das pessoas de querer fazer muito para melhorar esta cidade. Sua presença foi garantida graças à outra parceria, desta feita com o SESC São Carlos e Tenda da Cida.
Houve também a presença do Grupo Educacional de Capoeira “Alforria do Brasil”, com o Contra-mestre Luís Carlos Teté, mostrando um pouco desta tão importante manifestação cultural de nossa história. O filme “O povo brasileiro”, baseado na obra de Darcy Ribeiro foi exibido e debatido, junto à palestra do historiador Gustavo de Souza Pinto, o Joey. Ainda tivemos a exposição de obras do artista Júlio, da Cohab II, além de hip-hop com o grupo Conexão B-boys, e samba com Mano Marcinho. Foi um evento de grande importância, para aqueles que participaram e puderam contemplar a grandeza das manifestações da cultura negra que nossa cidade possui.

Por Ricardinho Salles

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