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ODEIO CHAVES

Calma, camaradas! Não se trata de nenhum artigo contra o presidente venezuelano Hugo Chaves (embora seus rompantes de ditador me façam sentir tentado a fazer críticas). Nem tampouco vou vociferar contra o humorístico trash mexicano Chaves, exibido eternamente pelo SBT. Também não se trata de falar mal de qualquer um que tenha esse sobrenome.
Trata-se do próprio objeto: a chave, ou pior, seu subproduto, o molho de chaves. Pode haver invenção mais abjeta?
Quem nunca deparou com uma imensa quantidade de chaves absolutamente iguais, à noite, diante de uma única fechadura, com iluminação fraca e aquela pressa de entrar...
Nunca fiquei bêbado nessa situação, mas os relatos de alguns pinguços são de arrepiar. Horas a fio tentando entrar em casa e, quando conseguem, ainda levam bronca da esposa ou filhos. Tremenda injustiça.
E quando a chave quebra na fechadura ou na ignição de um carro? Ou quando esquecemos a bendita dentro do automóvel? Ou não lembramos onde elas estão? Suplício, tormento, desespero total.
Não sei quando as chaves foram inventadas. Possivelmente logo após a descoberta da metalurgia. Será que Cristo foi conduzido diante de seus detratores preso por grilhões? Se for verdade, as chaves são muito, muito antigas. Na Idade Média, os valentes cavaleiros rumavam para as batalhas, deixando suas esposas presas em cintos de castidade. As chaves mais uma vez atrapalhando uma “puladinha” de cerca ou um romance fortuito.
As chaves variam de tamanho e formas, mas o objetivo é o mesmo, trancar tudo, dificultar a ação de bandidos.
É claro que nem todos compartilham da minha opinião. Para um bando de presos, a visão de um molho de chaves é animadora. Pode representar a liberdade. São Pedro detém as chaves do céu. E o medo é que ele não abra as portas celestiais para os incrédulos.
Mas continuo irredutível: chaves deveriam ser substituídas por outro tipo de tranca, que se abriria com comando de voz ou o apertar de um botão.
Enquanto o futuro não chega, vou me virando com as inúmeras chaves que tenho e fico pensando: “Na Idade da Pedra os homens eram felizes. Não havia chaves, muito menos portas e janelas”.