voltar - Crônicas do Paulão

OS BOLSISTAS FUJÕES

Deu no jornal: “Entre 2008 e 2010, o TCU condenou 48 ex-bolsistas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) a restituir um total de R$ 19,6 milhões.” (Folha on line – acessado em (17/0/7/2010)
A notícia se não é preocupante, é no mínimo inquietante, pois são pessoas que tomaram dinheiro público, viajaram para o exterior para aperfeiçoamento e não retornaram ao país. Ou seja, deram um tremendo calote no Estado e, sobretudo no povo. A reportagem cita Rogéria Waismann, condenada a devolver em valores atualizados, a quantia de (pasmem!), R$ 891.721,81, que recebeu como verba para custear um doutorado em psiquiatria em Londres. Ela não comprovou sua conclusão nem retornou ao país, onde centenas de traumatizados esperam uma horinha para uma consulta com tão famosa quase psicóloga. Outro investigado, chamado Jorge Campello de Souza, precisa ressarcir os cofres públicos em R$ 990.634,05, por um doutorado realizado (ou não) na Universidade de Stanford (EUA), em 1994. Que beleza!!
A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq ( Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) dizem que as irregularidades atingem menos de 1% dos bolsistas. São 91 da Capes e 316 do CNPq.
O grande problema talvez nem seja o dinheiro em si, pois sabemos que as pessoas se apropriam do público como se este não tivesse dono. O maior problema é o vício herdado, a certeza da impunidade. Num país tão carente de bons profissionais em diversas áreas, alguns mais espertinhos, resolvem fazer farra no exterior, gastando verbas destinadas a pesquisas e nem sequer retornando ao país. São pessoas oriundas de classes sociais mais abastadas, uma elite pseudo-intelectual que acha que pode fazer e desfazer do Brasil, dando uma “banana” para a opinião pública, aperfeiçoando-se à custa do erário e rindo da cara do povão. E ainda ficam contando suas bravatas em filas de check-in nos aeroportos. Bando de insuportáveis e pernósticos brasileiros...
As autoridades devem ser enérgicas com esse tipo de comportamento, pois os malefícios para o país são muitos. Maus exemplos que deveriam ser punidos com rigor. Além do ressarcimento imediato do dinheiro público aviltado, essas pessoas deveriam ser presas sem direito a fiança, até o julgamento, que deveria incluir trabalho forçado. Ficariam rachando pedra sob o olhar atento dos outros detentos, os “manos” que eles tanto odeiam e abominam. É uma turma que acha que nasceu no Brasil por engano, deveriam ser estadunidenses ou europeus. Deram azar de nascer nos trópicos. Não é por acaso que nosso país exibe níveis sociais ainda abaixo da média latino americana. Nuestros hermanos, argentinos, uruguaios e chilenos exibem indicadores sociais melhores que os nossos, embora nosso parque industrial e nossa economia seja três, até quatro vezes maior que a deles. Mas com esse tipo de atitude por parte dos mais “letrados”, fica difícil resolver nosso grande “abismo” social. Faltam pesquisadores, médicos, psicólogos e outros profissionais qualificados para atender as necessidades do povo. É por isso que eu sempre digo, que o Prêmio Nobel para um brasileiro é um sonho cada vez mais distante.

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