PARA NÃO
DIZER QUE NÃO FALEI DOS ÁRABES
Paulão
Siqueira
A
maior parte dos muçulmanos é de origem árabe. É
comum identificarmos os árabes como muçulmanos. A capital
espiritual dos muçulmanos é Meca, na Arábia Saudita.
O islamismo é a religião que mais cresce no mundo, ultrapassando
os católicos em número de fiéis.. Seu modo de pensar
e agir são bem peculiares, diferente do modo ocidental, sobretudo
da visão norte americana de mundo. O que é regra e resignação
para nós, é indiferença para eles. Eles não
se enquadram no “sistema” que a civilização
ocidental, judaico cristã acha ser correto. Por isso existe um
estado de tensão permanente entre o ocidente (cristão)
e o oriente (sarraceno).
È como se a história desses povos fosse um filme.E, esse
filme se divide em duas partes: A primeira foi no próprio nascimento
do islã, no século VII de nossa era. Após a morte
do profeta, motivados pela “Jihad”, os “soldados de
Alá”, conquistaram parte da Ásia, o norte da África
e pelo Estreito de Gibraltar chegaram à Península Ibérica,
onde permaneceram por cerca de 700 anos. Só não avançaram
mais, porque foram derrotados por um rei franco, chamado Carlos Martel
na batalha de Poitiers, no ano 732.
A permanência moura onde seria mais tarde Portugal e Espanha,
deixou um rico legado cultural, sintetizado na língua, no sangue,
na arquitetura e na culinária, das futuras metrópoles
que conquistariam o Novo Mundo. Recentemente, uma pesquisa indicou que
quase 80% da população de Portugal possui sangue árabe
ou judeu nas veias.
A segunda parte deste filme também foi na Idade Média.
A Europa católica insurgiu contra os “infiéis”,
declarando-lhes guerra. Foram As Cruzadas. Uma sucessão de massacres,
estupros, saques e toda sorte de iniquidades. Uma contenda equilibrada,
que envolveu personagens célebres como Ricardo Coração
de Leão, Saladino, Luis IX (São Luis) dentre tantos outros
que perderam sua vida no mais absoluto anonimato. A paz nunca foi alcançada
naquela região. Paradoxalmente, a Terra Santa é um lugar
violento, berço de intolerâncias seculares.
O século XX assistiu a ascensão ianque. No pós-guerra,
a “Nova Roma” viu-se em apuros, pois não conseguia
manter seu abastecimento de petróleo de forma satisfatória.
E no Oriente Médio ,estão as maiores reservas do “combustível
negro”. Com ajuda dos EUA, da Inglaterra e da França, nascia,
em 1948, o Estado de Israel, que se tornou um braço armado dos
interesses americanos na região. Os judeus vivem em estado de
guerra permanente com seus vizinhos árabes. Um Estado militarista,
patrocinado pelo governo dos Estados Unidos. Basta ver o armamento israelense.
Tudo “Made in USA".
Foram várias guerras de conquista, promovidas pelos judeus contra
os árabes nas últimas cinco décadas. Não
contente com seu quinhão, o Estado de Israel foi, paulatinamente
apropriando-se de todo território palestino, construindo áreas
de assentamentos, vilas agrícolas (Kibutz) e confinando seus
irmãos árabes na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Até a água do Rio Jordão é de controle israelense.
E esses inúmeros conflitos tiveram apenas um vencedor: Os judeus.
Tudo por causa de sua superioridade bélica, que inclui os mais
modernos helicópteros e aviões de combate, além
de armas nucleares, pois nunca se sabe o que pode acontecer. Isso fez
com que os árabes, que não são tão coesos
assim, desenvolvessem um sentimento de união, cuja motivação
seria o ódio irrestrito ao povo judeu. Por lá, na Palestina,
pululam grupos extremistas que estão a fim de liquidar com o
Estado de Israel, que sempre responde de forma violenta. É um
círculo vicioso sem fim, pois os judeus acreditam que a melhor
forma de manter a paz é revidando qualquer tipo de agressão.
Sob o ponto de vista deles, a visão parece correta, mas do outro
lado, os palestinos sofrem, e se armam como podem. Os levantes contra
Israel são chamados de Intifadas ou guerra de pedras. Isso acontece
desde que o Estado de Israel foi criado.
Como vivemos a era da imagem, e a nossa mídia é muito
domesticada e parcial, somos levados a crer que quase todos os muçulmanos
são barbudos, fanáticos, rezam o dia todo, surram suas
mulheres cotidianamente e vivem com cinturões presos à
cintura, cheio de explosivos, prontos para mandar todo mundo para o
inferno, menos ele, o homem bomba, considerado um mártir.
É um senso comum assustadoramente real, pois é veiculado
na imprensa ianque e europeia e por aqui assimilado e distribuído
na íntegra. São poucos veículos que ousam contar
uma história diferente da “versão oficial”
(ou será versão ocidental)?
Recentemente, um jornal dinamarquês publicou uma charge do profeta,
com um turbante repleto de bombas. Muitos países muçulmanos
protestaram. Embaixadas da Dinamarca foram atacadas, bandeiras americanas
queimadas e a imprensa ocidental cobriu o episódio, chamando
a atenção do telespectador para a “selvageria”
desencadeada pelos islâmicos.
Como agiria o Ocidente cristão se os jornais muçulmanos
retratassem a Virgem Maria portando uma HK ou Jesus empunhando um AR-15
da Colt, com fardamento camuflado e evangelizando na bala? Chocante
não? É amigo! O que não queremos para nós,
não podemos desejar para os outros. Essa é uma grande
verdade.
A maioria dos muçulmanos leva uma vida normal, como a nossa.
Só querem viver, trabalhar, educar os filhos, rir, chorar, festejar,
prantear, amar, rezar,praticar a solidariedade, enfim, tocar a vida.
Os cristãos também possuem seus redutos de fanatismo,
diluídos por aí em centenas de seitas e igrejas. Os fanáticos
do Islã também são minoria, mas atormentam bastante
as ruas de Bagdá, com suas explosões diárias. A
população civil sofre. Ainda mais com a presença
das forças de ocupação norte americanas: Marines,
Rangers, Delta Force, USAF.
E o que mais irrita o imperialismo ianque é que, quanto mais
bombas eles jogam, mais soldados eles enviam, mais complexo e difícil
fica o estabelecimento de uma paz duradoura. Tudo por que os caras não
querem beber Coca-Cola, comer Mc Nojo e vestir calça jeans. Eles
são diferentes de nós, sobretudo na resistência
e na defesa de sua cultura. Eles tiveram a ousadia de dizer Não!