A OBSESSÃO POR HITLER

Em abril próximo (dia 30/04/2005)  se completarão sessenta anos do suicídio de Adolf Hitler, no subsolo de seu bunker, em Berlim. Em 08 de de maio de 1945, a Alemanha se rendia aos aliados. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) estava acabada na Europa. Em setembro o Japão, depois de duas bombas nucleares nas costas, faria o mesmo, encerrando definitivamente o conflito mais devastador já provocado pelo homem.           

A figura de Hitler sempre pairou como um espectro durante todas essas décadas e povoa até hoje o imaginário mundial. Talvez por ele encarnar o mal absoluto, ou por nunca terem encontrado seus restos mortais (os russos admitem ter preservado sua arcada dentária nos arquivos da antiga KGB, a polícia política da ex- União Soviética).           

É sabido que Adolf Hitler nasceu austríaco, alistou-se no exército alemão, lutou  na Primeira Guerra Mundial, (1914-1918), foi ferido em combate, recebeu a Cruz de Ferro e alcançou a patente de cabo. Na década de 1920 assistiu à decadência alemã, tentou tomar o poder, foi preso, escreveu um único livro (Minha Luta), ajudou a criar o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores alemães, mais conhecido como Partido Nazista. Em 1933 chega ao poder como chanceler, prometendo reerguer a Alemanha. Torna-se ditador, elimina inimigos políticos, persegue judeus, alia-se à União Soviética, depois a invade Ataca a Polônia em setembro de 1939 e arrasta o mundo ao terrível conflito mundial.

Sobre ele ainda verga o peso de ter elaborado um projeto denominado: “a solução final”, o extermínio de seis milhões de judeus durante a guerra, em campos de concentração espalhados pela Europa ocupada. É claro que Hitler não fez tudo isso sozinho. O nazismo é obra de outras pessoas, mas ele, como líder máximo, sempre foi considerado o grande responsável por toda a barbárie que se seguiu.

            Nos anos noventa lança-se uma bomba sobre sua personalidade: diziam que ele era gay. Sua vida foi passada a limpo. Novas revelações. Era hipocondríaco, vegetariano,  tinha acessos de cólera, talvez não possuísse um testículo, era amável com seus subordinados diretos, dava festas elegantíssimas, adorava cães. Tudo surpreendentemente perturbador. O mito sendo inflado.

           Quem se aproxima de sua imagem ou faz elogios à sua política econômica e industrial, cai em desgraça. Recentemente o príncipe Harry, herdeiro do trono inglês apareceu a um baile fantasiado de nazista, ostentando uma suástica. Foi o suficiente para mais um escândalo de proporções alarmantes.

           Produções cinematográficas recentes alimentam ainda mais essa obsessão. Uma delas chama-se Molock, (disponível em DVD no Brasil), um filme russo de 2001, que mostra Hitler e Eva Braun (sua amante e depois esposa), na intimidade, em um castelo na Baviera. O outro filme chama-se “Der Untergang” (o declínio), uma produção alemã de 2004 (sem lançamento previsto no Brasil), que retrata os últimos 12 dias do ditador. Na película, Hitler é mostrado como piedoso, enrolando espaguete e chorando. Desnecessário dizer que as reações foram as mais variadas. Críticas e elogios em profusão.

           Para quem já se sente obcecado, ainda restam dois excelentes documentários: Arquitetura da Destruição (1989) de Peter Cohen e História Virtual, (2004) do Discovery Channel.

            É, o mito permanece. Há neonazistas espalhados pelo mundo que veneram sua figura. E crianças carentes das periferias brasileiras, que mal sabem ler e escrever, desenham a cruz suástica em carteiras, cadernos e paredes, ignorando por completo o que Hitler e o nazismo representaram para a História da humanidade...