Meu olho não é lá muito bom. Atrás de uma lente, então, pior. Atrás de duas — as de meus óculos e a da máquina —, não enxergo nada. Por isso, vou clicando a esmo, procurando olhos azuis em cabeça de pato, golpes perfeitos no esporte que amo, uma gota d´água escorrendo pelas costas de um nadador, homens, mulheres, aldravas, fazendas antigas, o corpo em movimento, vida, enfim. Pra mim, fotografia é meio que espiar o outro. Captura-se a alma do gajo, dizem. Pra quê? Não sei direito. Mas pode render boas risadas, uma lágrima, uma crítica mais ácida, um "oh", talvez ... Minhas máquinas? Uma Nikon Coolpix 8700 e uma Canon EOS 10D, ambas digitais. Posso ver na hora as porcarias que flagro. Mas nunca apago. Depois, pago pra ver. Quer dizer, pagava. Agora, com as digitais, não pago nem apago mais. É isso.