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BANDA OLHO DA RUA NA AEM
por Luiz Antônio Scarparo Maciel

Ouvir boa música é mesmo sempre um prazer. Ainda mais quando feita por um trio, bem a exemplo dos power trios da década de 1970, que tocavam rock´n´roll com uma competência de poucos. Até porque, tocar com baixo, guitarra e bateria, é preciso saber muito bem o que está fazendo. Pois foi isso mesmo que os poucos presentes na AEM ouviram e viram: três jovens competentíssimos, evoluindo em meio à MPB de alta qualidade. Lenine, Djavan, Ivan Lins, Lô Borges e mais um montão de compositores brasileiros, cujas músicas foram enriquecidas pelos meninos que sabem tudo de harmonia e balanço. Bruno Passos, ao violão e contrabaixo, Eric Furlan à guitarra e violão e o excelente baterista, arrancado da vizinha cidade Sanzé, Digão Almeida. Este aí foi surpresa. A qualidade do Bruno e Eric conheço há tempos, mas o Digão, que se apresentou pouquíssimas vezes com os mocoquenses demonstrou não apenas técnica, mas uma sutileza e um feeling dignos dos grandes bateristas. Não só à bateria quanto também ao cajón, uma espécie de caixote de madeira, muito usado em música flamenca. Por acaso, ontem, estava assistindo a shows de Chick Corea e Electric Band. O baterista desta banda não é outro senão Dave Weckl, lenda do jazz-fusion. Ao assistir ao show da Banda dos meninos, de nome sugestivo, "Olho da Rua", entendi a qualidade dos músicos brasileiros. O Digão moveu-se com uma desenvoltura ímpar entre frevos, sambas, reggaes, composições do Ivan Lins e Djavan, cujas harmonias intrincadas e divisão rítimica podem derrubar qualquer baterista pé-de-chinelo. Mas o nosso amigo pirassununguense — que adotou São José como cidade, para ficar mais perto e poder tocar com a banda dos Irmãos Mello, esta já desfeita — ao contrário, não apenas não caiu como quebrou a prataria e bagunçou a cozinha pra delírio musical dos meus amigos, Bruno e Eric, cuja satisfação em tocar mostrava-se em seus rostos a cada peça. É sempre bom estar acompanhado por um baterista competente; a gente se sente seguro, à vontade.
Quanto ao Bruno, voz, dedilhado, slaps e pizzicatos irretocáveis. As melodias que ele cria ao baixo são dignas de aplausos. Seus dedos nunca estão numa mesma região, sempre buscando acordes, empréstimos modais em seu baixo de cinco cordas, afinadíssimo. E, pra dar um toque fusion, Eric, o magnífico guitarrista — que já fez escola em Mococa, tornando-se um dos melhores representantes do rock fusion —, à sua Telecaster e pedaleira muito bem regulada, passeou por acordes invertidos, encadeamentos, escalas modais, pentatônicas, dóricas, lídias, lócrias, bendings e overdrives, em solos apurados e muito bem empregados. O bom da música ao vivo é isso: sempre há espaço pra deliciosos solos. Nota mil pros meninos!
Quem não foi ao Calçadão, perdeu a oportunidade de ouvir o melhor da MPB e mais, com gente daqui mesmo! Nossos cumprimentos, do Página de Ideias, aos excelentes músicos!

Fotos por Luiz Antônio Scarparo Maciel
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Massa

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