FEMUC
2011 - por Maestro Coelho de Moraes
Não
importa a chuva. Importa que o Teatro Municipal recebeu o pessoal carnavalesco
que sempre mostra a cara para (re) concretizar o carnaval da cidade.
Alguns criam o novo. Outros dormem nos louros.
Um carnaval que estava morto agora volta com seus brios e confetes.
O lance da chuva fica por conta das pessoas contaminadas pelo vírus
do comodismo. A chuva apenas molha o contribuinte, nada mais. São
eles mortos vivos de todo-o-dia que se aboletam nas poltronas domiciliares,
controle remoto na mão e zap dali zap daqui sem se movimentar
para nada. Pior. Depois se põe a reclamar que em Mococa não
há nada, que a cultura é isso, que a cultura é
aquilo; são teóricos inofensivos presos no tempo, congelados
na estagnação; não passam disso.
Com sol ou chuva houve o festival e houve quem ganhasse o festival.
Houve premiados e homenageados, e isso é bom. O surdo bateu fundo.
Ano passado o festival ainda mostrou que os representantes tradicionais
sairiam vencedores quase que incontestes. Alguns novos se propuseram
a enfrentar os monstros sagrados. Foram à luta. Plantaram bandeira.
Lançaram perfume. Voltaram na carga. Mococa, como produtora musical,
ganhou.
No certame 2011 muita coisa mudou. A começar pela banda que tomou
rumos diferentes e experimentou nova formação, graças
á liderança do Guilherme Remonti. Ficaram a dever um ou
outro ponto na harmonia e na questão da afinação,
a banda, - Freqüência Ativa, - mas veio com peso e demonstrou
que tem fôlego para emplacar os próximos números
do Festival que certamente teremos. É necessário que tenham
tempo suficiente para seus ensaios e arranjos. Isso dá trabalho.
Com certeza absoluta esse governo pode fechar seu ciclo com 4 festivais
e já será bom trabalho em relação ao que
rolou nos últimos 12 anos.
Prefiro excelentes Festivais a duvidosos Desfiles ainda mal divulgados.
Quem encarnou, - de caso pensado, - o espírito carnavalesco foi
Aloísio Delduca, que fantasiado, exaltado e pontificando suas
composições se multiplicou e quebrou a monotonia das,
também já conhecidas e tradicionais, - interpretações
burocráticas.
Braço dado com uma bela moça sapecou beijos e encarnou
a ambigüidade do tríduo momesco. Não houvesse outro
e seria ele o verdadeiro Momo.
Se cada interprete e compositor de música subisse ao palco embalado
numa caracterização magistral o Festival Carnavalesco
daria um salto de qualidade inusitado. O mesmo Aloísio, ao lado
do Du Cirieli também caracterizado, - tendo participado ano passado
com uma peça que ele mesmo traduziu como fraca, - Aloísio
estudou o ano todo, saiu do patamar de analfabeto em música a
um plano de pessoa que pode tecer conceitos na área; debater
a marcha, o rancho, o samba-canção e outras modalidades,
agora é possível pois ele se esmerou na aprendizagem.
Todos hão de conseguir professores online, se quiserem. Estudar
é preciso. Não acredite em “essa coisa vem do sangue”
que é besteira. Se assim fosse os afro-brasileiros estariam em
penca a derramar marchinhas e sambas no palco, e, eles nem se deram
ao luxo de aparecer. Zumbi e suas mulheres e seus escravos devem ter
rolado na tumba.
O carnaval 2012 tem de tudo para deixar marcas importantes na historia
de Mococa.
Aloísio Delduca venceu emplacando duas peças em marchas
no quinto e no primeiro lugar com voto unânime dos jurados. Hoje
está preocupado em não deixar a peteca cair. Ele mesmo
disse. Haverá cobranças.
Miguel Naufel pecou no discurso inicial do primeiro dia. Alhos e bugalhos.
O cós e as calças. O discurso poderia ser inserido na
musica mas ele resolveu explicar a musica do ano e a do ano passado
(que era muito ruim independente do Aurélio ou Houaiss). No entanto
cravou sua marcha no quarto lugar e deixou um protesto político
no ar e isso é novidade na Terra Mea Paulista e Generosa.
Subindo ao terceiro, o Aliende e seu frevo ficou bem colocado. Onde
merecia, aliás. A música foi cantada nos modos graves
da afinação (erro comum quase que a todos os cantores
do certame pois prejudica afinação e audição),
usando três pessoas que poderiam trabalhar uma divisão
alternativa de vozes em vez de cantarem no uníssono. Quando tem
mulher no meio (Estela) sempre é legal escrever uma melodia que
a moça voe nos agudos e faça a canção brilhar.
Bem. Ela sumiu no meio da outras vozes. A sugestão é cantar
nos extremos superiores da tessitura para dar maior brilho e entendimento
da letra, se não tudo fica na culpa do microfone.
Como em quase todos os compositores vimos que a composição
não muda de tom. Quando muda apenas o faz dentro da mesma quadra.
Ao passar para a quadra seguinte repete-se tudo de novo e quando a platéia
espera que o estribilho brilhe numa modulação, nada acontece
e a monotonia prevalece. A música fica adivinhável. É
necessário entender que o fato de se subir na escala e dar um
grito ou mesmo se fazer um breque sincopado nada significa se não
houver modulação. Pode gritar à vontade. Pode ter
qualquer frase de efeito. Pode dar paradinhas e baticuns fortes ad lib,
mas, se não houver modulação a música mora
no campo da monotonia. Foi o que prevaleceu. A título de exemplo
cito o Hino do Flamengo (quando em tom de Eb) ao se alcançar
o texto: - “... se faltasse o Flamengo no mundo...” (surge
um fulgurante D7) um acorde que não aparecera em nenhum momento
na música até ali. E isso causa uma estranheza, um frisson,
um ‘opa!’, que manda que se preste atenção.
Modula-se, enfim, mesmo que por pouco tempo.
Mais sugestões, sem me permitem.
Usar o formato ABA, ou AAB, ou ainda BAAB onde a modulação
está na no estribilho, na palavra de ordem, no verso de ouro.
O estribilho é o B. Essas letras não são cifras,
mas são as quadras da composição.
O segundo lugar coube a Kiko Zamarian e ele ainda dividira a interpretação
da composição vencedora. Kiko segreda que será
seu último festival. Eu espero que ele esteja conosco no banco
de jurados. Mesmo por que Kico já é mestre e tem de ser
considerado Notável da Música Mocoquense. No futuro haverá
um troféu com o nome dele. Falta o troféu com o nome do
Teia, se bem que eu prefira dar homenagens a mortos e não a vivos.
Enfim...
Nilton Cesar vem aparecendo gradativamente na pista de chegada. Mais
dia menos dia ela ganha peso e ocupa espaço. A Aclamação
Popular foi dele.
Última sugestão.
O Carnaval pode e deve começar nas escolas. Cada escola municipal,
estadual, particular pode contribuir com a causa fazendo com que jovens
comecem a pensar carnaval desde março agora/já. Seja em
pesquisa, em cursos de música começando por marchas, na
construção de enredos, em participação efetiva
no em desfile do ano que vem. Na busca do tema.
Desfile das escolas. O novo 7 de setembro. Escola na avenida.
Luis Romão, que se multiplica para dar solidificação
ao evento, pode dormir em paz pois, tirando as intempéries cuja
responsabilidade não lhe cabe, o FEMUC veio e se firmou. Agora
é hora de que ele traga compositores de Arceburgo, da Mogiana,
do sul de Minas e abra o leque do FEMUC para âmbito estadual.
Parabéns pelo trabalho.
A vantagem do Festival é que ele pode ser feito no interior de
Teatro e Espaços fechados, diferente do Desfile que depende das
boas graças do velho Pedro. Mas sendo esta uma cidade tão
pia e fervorosa na religião (sic), por que Pedro jorrou suas
águas?
Talvez a cidade não seja tão pia assim. Ou Pedro não
queira carnavais, vá saber!
O carnaval como cultura popular não deve ser desprezado pelo
sistema educacional.
O carnaval como fonte de turismo não pode ser deixado de lado
por quem pensa em obter recursos através de indústrias
não poluidoras, como é o caso da cultura popular o erudita.
Por fim, ainda teimosos e merecedores de Moções variadas,
excelentíssimos vereadores (representantes do povo?) não
compareceram ao Teatro Municipal demonstrando claramente o (des)interesse
pela coisa.
Devemos abrir parênteses para Chico do Sindicato que por lá
esteve a ainda contribuiu inclusive com apoio nas camisetas do FEMUC.
Fora o Chico ninguém mais, com título de excelência,
deu por lá as caras. Há que se pensar, para quem pode
pensar.
Será por que o carnaval é a continuidade das lupercais
e saturnais pagãs e isso é pecado?
Será que não era motivo de interesse e pauta e havia um
feriadão no meio do caminho?
Será por que os legislatas não compreendem o significado
econômico da festa?
Por que será que será?
Com a palavra o Rei Momo.
VEJA
FOTOS
Fotos:
Luiz Antônio Scarparo Maciel
e-mail: Massa