Leia
também: AÇÃO EDUCATIVA PARA MUSEUS
Oficina
de ORGANIZAÇÃO DE ACERVOS
INTRODUÇÃO
Através
da Oficina de ORGANIZAÇÃO DE ACERVOS, realizada em São
João da Boa Vista durante os dias 30, 1 e 2/12/09, iniciativa
esta, proposta pelo SISEM, Sistema Estadual de Museus, Secretaria de
Estado da Cultura, dentro do programa Capacitação dos
Museus, observamos a necessidade que os técnicos que trabalham
com coleções sentem ao depararem com tamanha diversidade
de tipologias e, por solicitação dos participantes, escrevi
alguns aspectos que julgo essenciais para a SALVAGUARDA DAS COLEÇÕES
.
Este texto é parte de um projeto para publicação
que elaborei para a Fundação do Patrimônio da Energia
e Saneamento por solicitação da Secretaria de Estado de
Cultura, que tem como intenção distribuir para os museus
sob sua tutela e que estão passando pelo processo de Municipalização.
Observo que é parte de um texto maior, com conteúdo mais
abrangente e que vem a somar com o material fornecido aos alunos durante
a oficina realizada.
Lembro ainda que os participantes da oficina eram técnicos de
Museus como também profissionais que trabalham com fotografia,
acervos documentais, bibliotecas, educadores, das cidades de São
João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Poços
de Caldas, Mogi das Cruzes e Mococa, num grupo de 23 participantes,
que tiveram nesses dias uma orientação básica sobre
o trabalho necessário a ser desenvolvido para a preservação
de importantes testemunhos de nossa história, dentro dos padrões
exigidos pela nova museologia.
CONTROLE
AMBIENTAL
A DETERIORAÇÃO SE REDUZ POR MEIO DO CONTROLE DE SUAS CAUSAS
Apesar
dos resultados de conhecimento específico sobre o comportamento
dos materiais de composição dos artefatos estarem crescendo
rapidamente, os princípios fundamentais estão bem estabelecidos.
Sabemos que o controle ambiental é fundamental para a conservação
preventiva de uma coleção, composta por bens culturais,
elegendo a estabilidade de temperatura, umidade relativa (AR) e limpeza,
fatores essenciais e ações prioritárias desenvolvidas
por técnicos dos museus.
Pensamos na necessidade de uma conservação preventiva,
após resultados mostrados através de investigações
científicas em processos de deterioração em bens
culturais.
Mais recentemente, o termo Conservação Preventiva passou
a ser utilizado para classificar uma intervenção mais
indireta, atuando no meio ambiente, modificando e adaptando as condições
climáticas externas, como temperatura, umidade, iluminação,
qualidade do ar etc., de forma a favorecer e dar saúde aos materiais
de composição dos artefatos, observando sua perenidade.
A deterioração não é inevitável e
o envelhecimento é apenas um multiplicador de causas conhecidas
e geralmente controladas.
Como dito acima, as causas principais na deterioração
de um bem cultural são ambientais: luz, temperatura, umidade
e gases atmosféricos, os outros podemos agregar a danos mecânicos
devido a manipulação, armazenagem e exposição
inadequados, sem esquecer de reações químicas provocadas
com materiais reativos e também danos causados por infestações
biológicas causadas por micoorganismos, plantas, insetos e animais.
Todos esses fatores podem ser controlados, se bem que a luz e o ar,
raramente podem ser eliminados, o que não quer dizer que não
possam ser amenizados, retardando assim o processo de deterioração.
Portanto a metodologia da conservação preventiva é
indireta: a deterioração se reduz por meio do controle
de suas causas.
Elegendo como fator principal da conservação preventiva,
o controle ambiental, há a necessidade de monitoramento constante
e muito eficiente, em conjunto com a documentação ou registro,
gerado após controle sistemático onde sugerimos a elaboração
de planilhas, que exemplificamos durante a oficina fornecendo cópia,
com registros simples, mas que possibilitam leitura e manipulação,
proporcionando condições ideais para a preservação
dos artefatos.
Além do controle ambiental a conservação preventiva
deverá agir no tratamento dos elementos físicos, materiais
de composição da obra, visando deter ou adiar os processos
de deterioração.
Lembramos que os dois aspectos da conservação preventiva
estão interligados, por isso exige do conservador uma formação
específica e criteriosa, e que atuam em objetos com os valores
históricos e estéticos, sem esquecer que muitas vezes
são exemplares únicos, não podendo, de forma alguma,
colocar em risco tal testemunho. Muitas vezes deparamos com situações
de danos irreversíveis, devido a situações de degradação
mal interpretadas demonstradas em intervenções realizadas
nos objetos.
Observamos que a conduta de um conservador, diante de dúvidas,
deve ser levada e discutida com um especialista que obterá base
segura para as intervenções necessárias, através
de pesquisa técnico-científica que indicará procedimento
adequado ao problema observado.
Passamos a seguir a descrever indicativos de elementos importantes para
a salvaguarda dos artefatos, que compõem as Coleções:
A Umidade Relativa (medida do controle de umidade no ar em relação
a temperatura) é um dos fatores mais relevante no processo de
degradação das obras. O seu alto índice provoca
a hidratação bem como o baixo nível a sua desidratação
e corrosão, insuportáveis pelos objetos. Em momentos diferentes
necessários a cada tipo de material, é o compromisso maior
adotado na conservação das coleções, evitando
extremos, porém dentro dos níveis recomendados, procurando
minimizar flutuações.
A luz visível formada por ondas eletromagnéticas é
extremamente nociva aos objetos e seu efeito é cumulativo. Os
danos causados aos artefatos são irreparáveis principalmente
nos objetos orgânicos, podendo ser reduzidos através do
controle da intensidade e do tempo em exposição, necessitando
adotar ambientes com baixa iluminação.
A temperatura é um fator fortemente influenciável na conservação
dos objetos, sendo ideais as mais baixas, pois a alta provoca aumento
da umidade relativa do ar, nocivas aos objetos devido à concentração
de umidade, provocando a corrosão principalmente nos metais (40%).
A poluição, através das impurezas sólidas
e gasosas muitas vezes depositadas nas superfícies dos materiais,
são prejudiciais aos objetos provocando reações
químicas e concentrando gases e umidade no ambiente.
Outras causas da degradação são aquelas provocadas
por agentes biológicos existentes em objetos trazidos de fora,
por fungos consequentes de temperaturas altas, insetos xilófagos
(cupins), coleópteros (besouros), traças, moscas, cupins,
que agem em peças compostas por celulose e animais como pombas
e ratos que através de seus excrementos prejudicando principalmente
os artefatos compostos por suportes orgânicos.
Como já abordado no início, precisamos pensar em adotar
critérios e metodologia adequados, eficientes.
Por essa linha de reflexão, podemos pensar em ações
diárias de controle ambiental, adotando ventilação
natural, que possa ser eficiente na renovação do ar sem
atingir diretamente os objetos localizados, colocação
de cortinas em TNT nas aberturas, provocando barreira para a entrada
de luz solar e poeira (devendo ser substituída conforme necessidade)
e principalmente utilizando pano macio branco e seco para a limpeza
dos objetos e móveis de armazenagem.
PROCEDIMENTOS,
EQUIPAMENTOS, MATERIAIS, ACONDICIONAMENTO, ARMAZENAGEM, TRANSPORTE E
MONTAGEM
Sobre
este capítulo pudemos participar do processo de fabricação
de acondicionamentos e armazenagem de artefatos onde apresentamos técnicas
simples, viáveis para a execução de nossa proposta
em salvaguardar os artefatos das Coleções dos Museus,
objeto de nosso trabalho, possibilitando ao aluno o manuseio com os
equipamentos e materiais adequados e desenvolvidos para o mesmo fim.
Lembramos ainda que foi fornecida cópia de parâmetros de
conservação, desenvolvidas e elaboradas para a salvaguarda
de todas as tipologias de suporte existentes em uma coleção.
GLOSSÁRIO
O
conceito de conservação é utilizado para descrever
um amplo leque de ações e procedimentos envolvidas na
preservação de bens culturais. Na prática, a conservação
engloba estas explícitas funções:
Exame — determina a natureza e método de composição
ou as propriedades dos materiais utilizados na realização
dos artefatos, e identifica as causas da sua deterioração.
Documentação — registra a condição
ou estado de um objeto, antes, durante e após o procedimento,
e apresenta uma descrição detalhada dos métodos
de tratamento e de materiais utilizados para tanto.
Preservação — impede ou retarda a deterioração
e inclui tanto a estabilização da condição
de um artefato e da estabilização do ambiente em torno
do objeto através da conservação preventiva.
Conservação preventiva — visa minimizar os efeitos
de agentes deterioradores como luz, poluentes, pragas, extremos de umidade
e temperatura, e inadequado armazenamento, manipulação
e exposição.
Restauração — interferência no artefato através
da reconstrução de partes faltantes, num esforço
para reintegrar e restituir a aparência de um objeto danificado.
Neste processo, o conservador/restaurador utiliza apenas os materiais
e segue apenas aqueles procedimentos que não irá alterar
ou afetar a estrutura original, respeitando a originalidade pretendida
pelo criador. O responsável pela intervenção deve
utilizar materiais com comportamento compatíveis e que facilmente
poderão ser revertidos.
Tratamento — designa todos os passos dos procedimentos realizados
sobre um objeto.
Documento gerado — é o registro de todo o procedimento
de trabalho realizado, e também aponta todos os materiais e métodos
utilizados, com data de início, término e assinatura do
responsável.
Palete — Um ou uma palete (do inglês pallet) é um
estrado de madeira, metal ou plástico que é utilizado
para movimentação de cargas.
Dolin ou dolinho — carrinho de apoio para transporte e movimentação
de cargas.
REFERÊNCIAS
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.Código de Ética do ICOM para Museus: versão lusófona,
2009.
.Museologia Relatórios Técnicos, re:source The Councilk
for Museums Archives and Libraries, Editora da Universidade de São
Paulo: Fundação Vitae.
Em
10 de dezembro de 2009
Heloisa M. P. de Abreu Meirelles
Especialista em museologia
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