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Fotos de arquivo:
Waltinho Rehder (Germano Rehder)vvvv/vvvvBanda do Irmão and the Truly Horns (Maciel)

BANDA DOS FILHINHOS DOS IRMÃOS ESTREIA EM GRANDE ESTILO
por Luiz Antônio Scarparo Maciel
E-mail: Massa

O final do ano de 2010 reservava surpresas, para mim. Após anos, fui, finalmente, convidado para a festa mais disputada de Réveillon — na casa dos meus queridos amigos Beco e Fernanda —, que nada mais é que uma revisitação das grandes sessões musicais regadas a boa comida e bebida, de graça, que o Irmão Waltinho Rehder promovia em sua casa, quando ela, então, se tornava um Woodstock mocoquense, recebendo gentes de todas as tribos, em que seus filhos, Germano — cujos violão e guitarra estavam sempre à disposição de todos —, Rick, Celo, Vagnim, Guilherme e Wartin, e mais um monte de convidados, se revezavam às guitarras, baixos, bateria e outros tantos instrumentos de percussão, transformados à revelia de seus usos, como garrafas, copos, caixas de fósforos, caixas torácicas, bocas, pés. Tudo era musical, todos éramos musicais naquele dia especial de cada começo de ano.

E quando o nosso querido e descolado Germano ruma para o norte do país para fundamentar sua carreira acadêmica, em meados da década de 1970, de lá enviava discos e mais discos importados que adquiria na Zona Franca, para conhecermos o que de mais importante surgia no cenário musical internacional abastecendo, assim, o vasto acervo dos Rehder com edições maravilhosas que nunca saíam no Brasil ou, se vinham para cá, apareciam anos depois e sempre com capas mixurucas e econômicas. Lembro-me daquele espetacular encarte importado do disco Yessongs; que primor, caro Germano! Foi você quem o enviou, quero crer! E que foi inspiração, nas hábeis mãos do Rick-pintor, para um pequeno quadro com uma daquelas paisagens maravilhosas que só o Roger Dean sabia fazer!

Se um dia algum historiador quiser fazer um levantamento rigoroso e preciso da grande vaga heroica da música de Mococa, esta pesquisa terá de perpassar pela casa dos Rehder. A Banda do Irmão é, portanto, uma justa homenagem ao Wartim Rehder, o Irmão, que além de acompanhar todos os voos solos de seus filhos todos, era um entusiasta da boa vida, da alegria e da confraternização.

A Banda do Irmão teve várias formações. Na maior delas, a famosíssima "Banda do Irmão and the Trully Horns", com oito integrantes, fui membro ativo, atuante, arranjador e numa época em que ainda não havia programas em que se escreviam partituras, eu tirava todas as partes para os metais — três saxofones — "na unha", escrevendo apurada e tecnicamente os grandes arranjos das bandas de nossa preferência. Além de arranjador e partiturista, fui guitarrista, cujo maior ídolo e incentivador não foi outro senão o excelente Rick Rehder, que tivemos o prazer de ouvir novamente na noite passada, não numa Fender, ou Gibson, mas numa Line 6/Variax, guitarra sintetizada, e que na mão do nosso homem se torna um instrumento de comunhão entre corações e mentes. A Banda do Irmão sempre primou pela pacificação do coração do ser humano. Nunca vi uma única briga na plateia, durante todo o trajeto da maior banda de blues e rock´n´roll de Mococa.

Mas... como o tempo é implacável! Implacável e generoso, ao mesmo tempo! Qual a minha outra surpresa, que o finalzinho de 2010 e comecinho de ano novo me reservava? Sim, a perpetuação da música também com os filhos dos integrantes da Banda do Irmão. Entre eles, meu filho, João Francisco, aos vocais. Juntamente com André (guitarra), filho do Beco, Nequinho (bateria), filho do Neco e Guga (baixo), filho do Gui Rehder, e mais o Enrico à guitarra solo, formaram uma banda que deriva para o blues e rock, com uma pegada característica dos jovens adolescentes, e com uma energia que já se põe à prova e se mostra boa, pura e que pode render frutos.

Foram duas noites agradáveis. A primeira, na casa do Beco, onde amigos de longa data se confraternizaram e se uniram na alegria e na bem-aventurança, e na noite de ontem, n´A Cachaçaria, onde as duas bandas fizeram a alegria dos que foram ouvir boa música. Uma noite iluminada, por ver meu filhão, aos 16 anos, cantando as mesmíssimas músicas que eu sempre ouvi: os bons e velhos blues!

Fica aqui, apenas, registrado um pequenino, bem pequeno, mesmo, reclamo: por tudo que representei num momento especial da Banda do Irmão, bem que vocês, Gui, Beco, Neco, podiam ter sido um bocadinho delicados e ter me chamado para, pelo menos, uma canja, já que trouxeram ao palco uma deliciosa gaitista — deliciosa no sentido musical, claro! —, Fernanda Figueiredo, meio mocoquense, segundo ela, e o André Naufel. Acho que representei bem mais para a Banda do Irmão que estes dois aí. Fiquei com vontade de tocar pelo menos uma música com vocês, viu? Mas não faz mal! Ali estava como fotógrafo, me senti feliz por poder registrar, em excelentes imagens, as performances destes meus grandes amigos de sempre, perpetuadas, agora, nas fotos que estão oferecidas aqui.

Então, por fim, após instituído o "Troféu Joinha" pelos impagáveis Ricardo Lucon e Margá, o "Troféu Joinha" vai para o... para o... Waltinho Rehder, o Grande Irmão de todos nós, e que Deus o tenha onde quer que esteja, pois onde for, certamente está alegrando anjos, arcanjos, ofanins, elohins, querubins e serafins, exorcizando todos os demônios destes seres aí com boa prosa, risadas, felicidade e alegria de viver e conduzindo o coro celestial como o Grande Maestro que sempre foi!

Obrigados, meus queridos amigos Beco, Gui, Neco, Marim, Rick, Dirsão, Ricardo, Margá, Débora, Germanim, Vagnim e todos que tornaram possível esta perpetuação da alegria! Cada um de vocês, representa, inegavelmente, o espírito do Grande Irmão, Waltinho Rehder! Ele está vivo no meio de nós!

Fiquemos todos bem, neste 2011 que, espero, seja iluminado e repleto de boas energias!

Meu caro Germano, justiças se fazem reconhecendo erros. Não conhecia a história que me conta, neste momento. Ainda assim, perdoe-me o lapso. O Homem é falível. Reconheci a minha falha, reparei-a e sigo, agora, adiante, com o coração leve e cabeça erguida. Minha maior admiração ainda, pela sua vida, obra e pelos frutos que advêm dela!

Conheça mais sobre a arte e obra de Germano Rehder acessando: http://germano.weebly.com/

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Fotos: Luiz Antônio Scarparo Maciel
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